Um estudo do INCT-DT mostrou que em pacientes obesos as úlceras (feridas) causadas pela leishmaniose cutânea são mais graves, respondem menos ao tratamento e demoram mais para ficarem cicatrizadas, do que as apresentadas por indivíduos magros. Segundo essa pesquisa, isso ocorre porque pacientes obesos possuem uma maior infiltração de células inflamatórias na pele infectada pelas leishmanias e uma maior produção de moléculas conhecidas como citocinas inflamatórias que contribuem para a gravidade da leishmaniose.
Paralelamente, foi também observado que a leishmaniose altera a função dos adipócitos, células do tecido adiposo, que produzem hormônios, chamados de adipocinas, a exemplo da leptina e adiponectina, que controlam funções importantes como o apetite e o controle da glicose no nosso organismo.
Nesse caso a leishmaniose cutânea causou uma maior produção de leptina que foi correlacionada com uma maior produção de moléculas inflamatórias pelas células da pele como a interleucina Beta (IL-1β, IL-17, TNF e Granzima B), que causam mais inflamação e maior dano aos nossos tecidos. Esses estudos mostraram que na leishmaniose cutânea há uma comunicação bidirecional entre os adipócitos e as células imunológicas, que amplificam a inflamação e tornam a doença mais grave nos obesos e que os uso de dieta e medicações que reduzem a resposta inflamatória do tecido adiposo, pode potencialmente contribuir para melhores respostas terapêuticas na leishmaniose cutânea.