Artigo publicado na revista Frontiers in Immunology analisa o papel da formação do fagossoma no controle da infecção subclínica, condição em que o indivíduo apresenta resposta imune ao parasita sem desenvolver lesões cutâneas.

Os pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Doenças Tropicais (INCT.DT) Edgar Marcelino de Carvalho, Olívia Bacellar e Thiago Marconi Cardoso participam de pesquisas sobre os mecanismos imunológicos envolvidos no controle da infecção por Leishmania braziliensis. Um estudo liderado por Figueiredo et al., publicado em junho de 2026, na revista científica Frontiers in Immunology, investigou como a rapidez de determinados processos celulares pode contribuir para o controle do parasita em pessoas que não desenvolvem lesões cutâneas.

A pesquisa é fruto de uma colaboração entre o INCT.DT, a Fiocruz Bahia (Instituto Gonçalo Moniz – IGM), a Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES), e.

A infecção subclínica é caracterizada pela presença de resposta imunológica ao parasita sem o desenvolvimento das manifestações clínicas típicas da leishmaniose cutânea. Em áreas de transmissão de Leishmania braziliensis, parte das pessoas expostas consegue controlar a infecção sem apresentar lesões na pele. Compreender os mecanismos envolvidos nesse processo é importante para ampliar o conhecimento sobre a interação entre o parasita e o sistema imunológico humano.

O estudo analisou o comportamento dos macrófagos, células do sistema imunológico responsáveis por capturar e processar microrganismos. Os resultados indicam que, nos indivíduos com infecção subclínica, o controle do parasita está associado à rapidez da formação e da maturação do fagossoma, estrutura intracelular que envolve o microrganismo e participa de seu processamento.

Nas primeiras duas horas de infecção, os macrófagos de indivíduos com infecção subclínica formaram essa estrutura mais rapidamente do que os macrófagos de pacientes com leishmaniose cutânea.

Nesse período, 34,8% das células do grupo subclínico ainda apresentavam parasitas vivos, enquanto, no grupo de pacientes com lesões cutâneas, esse percentual era de 56,4%.

A diferença também foi observada nas etapas seguintes. Entre quatro e 24 horas após a infecção, houve redução de 82% no número de parasitas vivos nas células do grupo subclínico. Entre os pacientes com leishmaniose cutânea, a redução foi de 15%. Após 48 horas, o controle do parasita era quase total nas células dos indivíduos com infecção subclínica.

Outro mecanismo investigado envolve a proteína LAMP-1, associada à fusão entre o fagossoma e o lisossomo, compartimento celular que contém enzimas responsáveis pela degradação de materiais. Essa interação permite que o parasita seja submetido a condições intracelulares favoráveis à sua destruição.

Nos indivíduos com infecção subclínica, a fusão entre essas estruturas ocorreu mais precocemente e foi mantida por mais tempo, favorecendo a eliminação do parasita. Os achados indicam que a dinâmica dos processos intracelulares pode ter papel importante no controle da infecção, para além da intensidade de determinados mecanismos da resposta imunológica.

Os resultados contribuem para a compreensão dos fatores celulares associados ao controle da infecção por Leishmania braziliensis sem o desenvolvimento de manifestações clínicas. A investigação desses mecanismos pode subsidiar novas pesquisas sobre a interação entre o parasita e o sistema imunológico, ampliando o conhecimento sobre as diferentes respostas à infecção.

Sobre os pesquisadores

Edgar Marcelino de Carvalho e Olívia Bacellar são pesquisadores vinculados à área de imunologia e leishmaniose, com atuação na Fiocruz Bahia e na Universidade Federal da Bahia. Thiago Marconi Cardoso é pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e do Serviço de Imunologia do HUPES/UFBA, com formação em Farmácia e Bioquímica e doutorado em Imunologia pela UFBA. Sua atuação concentra-se em imunologia celular, leishmaniose, biomarcadores e mecanismos de infecção.

Referência: Figueiredo et al. Frontiers in Immunology (2026).

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